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segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Mais uma vez os influenciadores


Depois de uns dias em Londres, felizmente por pouco não apanhámos o solavanco das manifestações que poderia azedar ainda mais a nossa fruta. E foi com uma dose de inveja que dos que ainda por lá ficaram que tivemos de regressar.
A inveja é tramada! Eu acho que tenho inveja das figuras públicas e dos(as) chamados influencers digitais, esta mania portuguesa de ir buscar palavras de fora! Compreende-se, é para se estar in. Invejo-os porque acho que se orientam e ganham fama, proveito e preparam a sua carreira à minha, nossa custa. Claro que cada um tem o direito de preparar a sua carreira profissional e deve fazê-lo, mas não à minha ou à custa de qualquer outro(a).  Há quem vá a correr a colocar “gostos” e seguir como cachorros os seus falsos ídolos. Falsos ídolos fabricados para nos fazerem crer que são os maiores.
Mas, meus amigos e amigas, isto agora é mais sofisticado porque também já temos estudos para conhecer a imagem que os portugueses têm das figuras públicas nacionais bem como a opinião sobre as suas principais características e informações sobre a sua presença digital com base numa recolha realizada por uma empresa de consultadoria nas várias redes sociais e blogs. Nada mais nada menos 57 figuras públicas e 37 digital influencers foram analisadas em 2019.
Veja-se quanto totós e otários não somos. Somos como cãezinhos que seguem farejando aquelas figurinhas e depois ficamos extasiados com o que dizem, fazem, sugerem e fotografam e vamos segui-los quais caninos dóceis e fiéis.
Vivemos num país livre em que cada um pode matar-se, ou não, como muito bem entender, seja com testosterona ou qualquer outra coisa para que outros cultivem a sua a imagem na Internet e nas redes sociais e possam vir a ser também influenciadores(as). Tem dezenas de milhar de visualizações e depois lá vem a televisão promover a sua imagem, mesmo que o publicado no Youtube seja uma falência total. Não se avalia a qualidade, mas sim o número de visualizações e de “gostos”. Há-os de todos e para todos os gostos, moda, maquiagem, cabelos, perfumes, sorrisos, sapatos, artistas, modelos, saúde, eu sei lá.
E a parafernália de bloguistas que são pipocas, frutas, loucas, da mãe, dos filhos, e muitos outros.
Porque afinal é de influenciar audiências que trata o negócio. Para tal é necessária alguma expertise, sobretudo skills digitais.
Cometa-se às vezes até em programas televisivos. «Ah! Que bonita que ela está naquela foto do Instagram não achas?»  «Se acho! Mas para além disso gosto muito dela, dá uns conselhos super espetaculares. E aquele do ginásio? Que barra! Sabes, sou seu(sua) seguidor(a). Põe lá coisas tão giras!»
Há já um índice empatia/identificação com figuras públicas e de digital influencers baseados nos otários seguidores que somos nós. Nós não! Vocês, porque eu não caio nessas armadilhas de os ajudar a pagar ou complementar o salário com os meus clicks na publicidade encaixados nos seus sites. Uma coisa é gostar de ler o que escrevem, outra é cada um servir de promotor de figuras que nem sabem quem nós somos, mesmo que lá conste o nosso ícone fotográfico e o nome ou o “nickname”. O que lhes interessa é apenas a replicação da imagem e da “graça” da sua pessoa, a deles(as) claro.  
Através das redes sociais cada um pode ser conhecido e, quanto mais aberrante ou extravagante tanto melhor mais saída tem.
Qualquer pateta que apareça num qualquer canal de televisão logo há uma corrida às redes sociais para se manifestarem.
Antigamente qualquer bom artista em início de carreira tinha de ter um agente muito bom para que se tornasse mais ou menos conhecido, agora não é preciso, basta dizer umas larachas e colocar umas fotografias atrevidas para ter uma caterva de fãs logo seguida e milhares de “gostos”.
Mas as(os), especialmente as, blogueres influenciadoras são também captadoras. Funcionam como teias que prendem os insetos que lá caiem. Normalmente dão conselhos sobre qualquer coisa e falam de si, da sua pessoa, da sua casa, do seu companheiro(a) sobre o que sabem que elas(es) andam à procura. Pode ser qualquer coisa. Perder peso, tirar manchas da pele, maquiagem, tirar rugas ofertas de aniversário para a querida(o), decoração de casa, eu sei lá, um manancial de tretas que as(os) influencers colocam nos seus blogs e respondem a perguntas colocadas na área de comentários e, logo ali ao lado, as sugestões a propósito. E, lá vou eu, e… Click.
Muita delas escrevem tratados sobre os seus filhinhos, o que fazem, o que fizeram, o que deixaram de fazer, que são sempre os máximos em tudo, até nas reproduções de dinossauros que têm em casa e em que são autênticos peritos. Aproveitam então para falar de brinquedos que poderão ser ótimas opções para compras de natal, claro, porque convém, para puxar a tal oportuna publicidadezinha.  E lá está, a encomenda online encomenda poderá ser feita através do site X. Quanta inveja não suscitarão às outras mãezinhas que, por falta de posses, não podem ter em casa a coleção daqueles ditos bichos há muito extintos.
 A seguir lá vêm as roupinhas e os sapatinhos da moda que também podem comprar. É tudo publicidade disfarçada no meio de textos pretensiosamente sérios com uma narrativa popularucha e familiar.
São os(as) oportunistics, já agora aproveito também a boleia do inglês. É assim, a vida dos(a) influencers! Viver à custa dos influenciados.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Vendedores da era digital



Aqui estou de novo desta feita para falar de uma nova moda ligada à promoção de vendas que adotou mais uma vez um nome inglês. São os influencers, os vendedores da banha da cobra da era digital.
As manigâncias utilizadas para vender o que se torna apetecível para comprar que às vezes não é necessário são mais do que muitas para atrair totós como eu, por exemplo, cuja experiência já não me deixa cair facilmente em tentações influenciadoras.
Alguém que consegue influenciar outras pessoas, seja para comprar determinado produto, assumir alguma postura ou refletir sobre assuntos específicos é um “influencer” digital. São formadores de opinião que usam os canais de comunicação para transmitir para o seu público o que pensam, o que fazem e o que sabem levando outros a segui-los por imitação.
Os “influencers”, ou em português influenciadores, ou lá como lhes queiram chamar, utilizam vários truques, nomeadamente em blogs ditos intimistas e pessoais, espécie de artimanhas para atrair moscas, leia-se descuidados.
Há de tudo, e tudo serve para influenciar e sacar “massa” aos incautos. Se se perguntar se é tudo mau, não, não é, mas será que é necessário? E será de melhor qualidade do que aquele outro que vimos numa outra loja ou site de um conceituada marca, daquele produto, seja de moda, seja de cosmética, seja de tecnologia, etc..
Tudo serve para nós, pobres totós, cairmos na armadilha e nos deixarmos influenciar. Quem ganha são os “influencers”, que também têm direito à vida. Por essa blogosfera há vários e várias que, tal como eu, se acham os e as maiores. O meu caso, devo esclarecer, sou o maior, mas cá por baixo…
Eles andam por aí metidos em tudo quanto possa sacar dinheiro aos(às) pobres incautos(as). Ele é realização de palestras, workshops e consultorias, veiculação de anúncios nas suas páginas ou blogs, enfim, tudo o que seja matéria que possa ser vendável, mas sobretudo a moda e toda a espécie de acessórios.
Diariamente há quem faça publicações que mostram um novo maravilhoso batom cuja própria também usa, ou os seus recentes, maravilhosos e incríveis ténis, ou um inovador tratamento de beleza que as suas seguidoras, dizem, não podem também deixar de experimentar. Isto, claro, é para elas, mas também pode ser para eles!
Ainda há quem, depois de muito dinheiro acumulado, decida criar a sua própria linha de vestuário ou de qualquer outro produto. Contudo, de forma surpreendente, a(o) “influencer” pode não conseguir vender um número mínimo para que as encomendas pudessem resultar.
Os lamentos para convencer vêm depois através do aproveitamento emocional dos seus seguidores ao escreverem que têm o "coração despedaçado" com a falta de vendas do seu produto e, de forma mais ou menos intimista escrevem: "Eu sabia que seria difícil, mas vocês estavam a dar-me um feedback tão positivo que eu achava que as pessoas gostavam e iam comprar". E, não contentes, acrescentam: "Ninguém manteve a sua palavra e, como tal, não pude aceder aos pedidos das pessoas que fizeram uma compra e isso está a partir-me o coração", bla, bla, bla!
Há quem comece a duvidar da fiabilidade da publicidade que youtubers, instragammers e outros influencers fazem nas suas páginas a determinadas marcas, por mostrarem situações que, muitas vezes, não correspondem à sua realidade por não conhecerem nem comprovarem realmente os benefícios de determinado produto.
É a estratégia de aconselhar dizendo que lá em casa já experimentou, que se deu muito bem, e que até os seus(suas) melhores amigos(as) já experimentarem e que resultou imenso. Poderia apontar vários sites e blogs, mas não vou fazê-lo para não estragar o ganha pão de meninos e meninas muito bem, chiquérrimos(as), da nossa praça que conseguem ter milhões de visualizações e milhares de “gostos”. Por outro lado, ainda escreviam por aí que eu tinha era inveja de não ter tantos seguidores e “likes”, já agora em inglês também tenho direito.
O que acho seria dinheiro em caixa era escrever um livro, já que há tantos(as) songamongas, como eu seria se o fizesse, a escrever livros cujo título poderia ser “Influencers para Tótós”.
Para terminar aqui vai uma influenciazinha para elas (para eles vai na próxima) da Revista Vogue, esta sim, de origem:


As camisas brancas saíram à rua


Para nos provarem porque é que são a peça indispensável no guarda-roupa de qualquer mulher. Do estilo mais boémio ao mais clássico, fomos ao street style perceber como é que as estrelas desta passerelle alternativa vestem camisas brancas.
Patti Smith na capa do célebre álbum Horses, Uma Thurman em Pulp Fiction, Diane Keaton em Annie Hall de Woody Allen, Angelina Jolie em Mr. and Mrs. Smith, Julia Roberts em Pretty Woman, Susan Sarandon em The Client. Esta lista é daquelas que não tem fim e não é difícil perceber o porquê. “Na dúvida, tudo fica bem com uma camisa branca,” disse Victoria Beckham. Já Elizabeth Taylor foi mais assertiva, afirmando que “todas as mulheres deveriam ter uma camisa branca no guarda-roupa.”….

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Alimentar o blog é preciso





Se estão à espera que vá falar de nutricionismo, comida saudável, dietas ou coisas e tal, tirem o cavalinho da chuva. vou falar é da alimentação do blog. Sim, ele coitado também tem necessidades alimentares, e isto de alimentar um blog é quase como ter de alimentar um animal doméstico. Bem, com alguma diferença, é que o animal doméstico ladra, ou mia, se for cão ou gato (não estou a pensar em outros animais de estimação como sejam os do tipo exótico). Sobre a desnutrição do blog poucos ou nenhuns reclamariam, e outros até agradeceriam a fome que o fizesse passar. O blog se não for alimentado não protesta, mas perde-se nas brumas do ciberespaço e transforma-se em lixo virtual.
A alimentação do blog não depende de mim, depende das minhas musas. A falta de musas inspiradoras é terrífica, e elas cada vez rareiam mais. Gostaria que as minhas musas fossem como as do José Rodrigues dos Santos, um dos apresentadores do telejornal da RTP1, que em média apresenta um livro de mais de quinhentas páginas a cada dois anos, ou menos. Puxa! Quem me dera que as minhas musas fizessem um striptease com a mesma voluptuosidade plena de inspiração literária como as dele. É certo que as dele já começa a padecer de monotonia na inspiração do prolifero autor. Apesar de tudo mais vale ter mau hálito do que não ter nenhum, o que era sinal de que estaria morto e não queremos nada disso. As minhas musas, coitadinhas, pelo contrário, são muito inibidas e não se despem integralmente para me inspirarem senão não haveria quem me parasse.
A propósito de estar morto recordo-me de uma estória verídica que se passou na minha presença após assistir a uma missa do sétimo dia. Há sempre uma missa do sétimo dia, talvez seja porque a Terra e o Universo levaram seis dias a criar e o sétimo foi para descansar. Deve ser por isso. Como estava dizendo, ao sair da igreja, como é habitual, amigos e familiares juntam-se à porta a conversar. Eis, senão quando, se aproxima um familiar do falecido que se lamenta da morte do ente querido. Então uma das pessoas presentes, também ela familiar, vira-se e disse numa frase eloquente e exclamativa: «Olha, não estejas assim! Sabes, o céu é tão lindo!!!». Numa ação reativa alguém lhe pergunta: «Olha lá, já lá estiveste para saber?». O rubor que lhe surgiu na face foi para todos visível e esclarecedor.
Este tema da morte não tem piada nenhuma, mas recebi agora mesmo uma notícia que dizia que frio e gripe provocam mortes acima do normal. Vamos lá ver se nos entendemos ainda ontem diziam que este ano a gripe estava pouco ativa em relação ao ano anterior. Afinal em que ficamos?
No meio desta treta toda já nem sei onde que ia! Está próximo da hora de jantar. Deve ser da fome. A propósito, sabem que aqui ao pé da minha rua há um pequeno restaurante que se chama “Fome”? A sério! Podem confirmar na net. Nunca lá fui, mas pelos preços e pela ementa deve ser verdade.
Estão na moda os restaurantes com estrelas Michelin, geridos por cozinheiros, desculpem-me, “Chefs” de alto coturno, isto é, “cozinheiros” de linhagem nobre da cozinha, onde quem lá vai, ou já vai jantado ou passa fome e paga muito.
Reparem na imagem onde o apetite não pode ir além de uma pequenina costeleta de cabrito, ou será borreguinho? Mas não me digam que a decoração está mal?
Quero dizer, quem fala assim sou eu, um português de gema, que me empanturro à hora de almoço com comida e quando vou para pegar ao serviço passo o tempo a lamentar-me: «Ai que Deus! Ai que Deus, não me apetece nada ir trabalhar.».  É mentira, não passem palavra, porque isto é apenas um desabafo falso do tipo “fake news”, estão a ver?   

Imagem da revista Máxima.pt

As redes sociais são locais ótimos onde se reproduzem “fake news” tal como como coelhos que dão à luz as suas crias. Por isso é que se diz que, tal ou tal, se reproduzem como coelhos. Não é por acaso que os caçadores quando lhes limitam o número de animais a caçar refilam e com razão argumentam que se não os deixam caçar os coelhos à vontade qualquer dia são eles que os comem a eles.
Veja-se por exemplo o que se tem passado com o caso do Bairro da Jamaica e a PSP, pelo que se ouve e o que nos dizem já ninguém sabe o que é verdadeiro ou é falso. Qualquer dia temos de construir tabelas de verdade para tirar alguma conclusão. Tabelas de verdade são essas coisas que se utilizam na lógica matemática e que agora resolveram introduzir nos programas de filosofia do secundário para baralharem os coitados dos alunos. Talvez seja uma forma de os impedir de pensar e refletir sobre questões sociais que deviam merecer reflexão.

Fico lixado quando a PSP ou a GNR me multam, por isso é que estou sempre contra eles, e a minha raiva é tanta que até lhes chamo bófias. Vou a alta velocidade e ponho os outros condutores a desviarem-se de mim; não fazem mais do que a sua obrigação, estou com pressa e pronto. É então que apanho a polícia e multa-me. Bebo uns copitos a mais e, lá por ver duas estradas, o que até é bom porque assim tenho mais espaço, a polícia vê e prende-me. Estou a conduzir e a enviar mensagens à minha garina sou apanhado e multam-me. Bolas não há quem aguente! Estava para dizer “não há cu que aguente”, mas desisti porque isso é má educação. Como é que eu hei de estar do lado deles! Mesmo que fosse racista estaria sempre contra a polícia mesmo quando para pacificar um local é atacada e corrida à pedrada.
A virada para a quase política não estava prevista, desculpem-me o sintoma, mas já passou.

Hoje acho que vou ficar por aqui e como não tenho, por agora, mais nada para dizer termino enchendo chouriços com coisas da moda. Assim, os saldos estão quase a acabar e a exposição das coleções de primavera verão estão aí, prontas para ir para as vitrines.

 Vejam Chanel: a primeira fila do desfile de alta-costura



Eu nem me conheço, mas eu estou a falar de moda? Estou-me a passar ou quê?