segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Mais uma vez os influenciadores


Depois de uns dias em Londres, felizmente por pouco não apanhámos o solavanco das manifestações que poderia azedar ainda mais a nossa fruta. E foi com uma dose de inveja que dos que ainda por lá ficaram que tivemos de regressar.
A inveja é tramada! Eu acho que tenho inveja das figuras públicas e dos(as) chamados influencers digitais, esta mania portuguesa de ir buscar palavras de fora! Compreende-se, é para se estar in. Invejo-os porque acho que se orientam e ganham fama, proveito e preparam a sua carreira à minha, nossa custa. Claro que cada um tem o direito de preparar a sua carreira profissional e deve fazê-lo, mas não à minha ou à custa de qualquer outro(a).  Há quem vá a correr a colocar “gostos” e seguir como cachorros os seus falsos ídolos. Falsos ídolos fabricados para nos fazerem crer que são os maiores.
Mas, meus amigos e amigas, isto agora é mais sofisticado porque também já temos estudos para conhecer a imagem que os portugueses têm das figuras públicas nacionais bem como a opinião sobre as suas principais características e informações sobre a sua presença digital com base numa recolha realizada por uma empresa de consultadoria nas várias redes sociais e blogs. Nada mais nada menos 57 figuras públicas e 37 digital influencers foram analisadas em 2019.
Veja-se quanto totós e otários não somos. Somos como cãezinhos que seguem farejando aquelas figurinhas e depois ficamos extasiados com o que dizem, fazem, sugerem e fotografam e vamos segui-los quais caninos dóceis e fiéis.
Vivemos num país livre em que cada um pode matar-se, ou não, como muito bem entender, seja com testosterona ou qualquer outra coisa para que outros cultivem a sua a imagem na Internet e nas redes sociais e possam vir a ser também influenciadores(as). Tem dezenas de milhar de visualizações e depois lá vem a televisão promover a sua imagem, mesmo que o publicado no Youtube seja uma falência total. Não se avalia a qualidade, mas sim o número de visualizações e de “gostos”. Há-os de todos e para todos os gostos, moda, maquiagem, cabelos, perfumes, sorrisos, sapatos, artistas, modelos, saúde, eu sei lá.
E a parafernália de bloguistas que são pipocas, frutas, loucas, da mãe, dos filhos, e muitos outros.
Porque afinal é de influenciar audiências que trata o negócio. Para tal é necessária alguma expertise, sobretudo skills digitais.
Cometa-se às vezes até em programas televisivos. «Ah! Que bonita que ela está naquela foto do Instagram não achas?»  «Se acho! Mas para além disso gosto muito dela, dá uns conselhos super espetaculares. E aquele do ginásio? Que barra! Sabes, sou seu(sua) seguidor(a). Põe lá coisas tão giras!»
Há já um índice empatia/identificação com figuras públicas e de digital influencers baseados nos otários seguidores que somos nós. Nós não! Vocês, porque eu não caio nessas armadilhas de os ajudar a pagar ou complementar o salário com os meus clicks na publicidade encaixados nos seus sites. Uma coisa é gostar de ler o que escrevem, outra é cada um servir de promotor de figuras que nem sabem quem nós somos, mesmo que lá conste o nosso ícone fotográfico e o nome ou o “nickname”. O que lhes interessa é apenas a replicação da imagem e da “graça” da sua pessoa, a deles(as) claro.  
Através das redes sociais cada um pode ser conhecido e, quanto mais aberrante ou extravagante tanto melhor mais saída tem.
Qualquer pateta que apareça num qualquer canal de televisão logo há uma corrida às redes sociais para se manifestarem.
Antigamente qualquer bom artista em início de carreira tinha de ter um agente muito bom para que se tornasse mais ou menos conhecido, agora não é preciso, basta dizer umas larachas e colocar umas fotografias atrevidas para ter uma caterva de fãs logo seguida e milhares de “gostos”.
Mas as(os), especialmente as, blogueres influenciadoras são também captadoras. Funcionam como teias que prendem os insetos que lá caiem. Normalmente dão conselhos sobre qualquer coisa e falam de si, da sua pessoa, da sua casa, do seu companheiro(a) sobre o que sabem que elas(es) andam à procura. Pode ser qualquer coisa. Perder peso, tirar manchas da pele, maquiagem, tirar rugas ofertas de aniversário para a querida(o), decoração de casa, eu sei lá, um manancial de tretas que as(os) influencers colocam nos seus blogs e respondem a perguntas colocadas na área de comentários e, logo ali ao lado, as sugestões a propósito. E, lá vou eu, e… Click.
Muita delas escrevem tratados sobre os seus filhinhos, o que fazem, o que fizeram, o que deixaram de fazer, que são sempre os máximos em tudo, até nas reproduções de dinossauros que têm em casa e em que são autênticos peritos. Aproveitam então para falar de brinquedos que poderão ser ótimas opções para compras de natal, claro, porque convém, para puxar a tal oportuna publicidadezinha.  E lá está, a encomenda online encomenda poderá ser feita através do site X. Quanta inveja não suscitarão às outras mãezinhas que, por falta de posses, não podem ter em casa a coleção daqueles ditos bichos há muito extintos.
 A seguir lá vêm as roupinhas e os sapatinhos da moda que também podem comprar. É tudo publicidade disfarçada no meio de textos pretensiosamente sérios com uma narrativa popularucha e familiar.
São os(as) oportunistics, já agora aproveito também a boleia do inglês. É assim, a vida dos(a) influencers! Viver à custa dos influenciados.

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Cristina Ferreira: Endeusamento ou divinização?


Presunção e água benta! Cristina Ferreira acusada de fazer discurso de agradecimento "pouco humilde" refere a revista Flash de hoje. Cristina, “a rainha da humildade", "Presunção e água benta...", "Que convencida e arrogante", foram alguns dos comentários ao discurso da apresentadora.
É, de facto, impressionante como uma apresentadora de programas de entretenimento de televisão se deifica e quase se autoelogia. É justo o prémio de televisão que lhe foi atribuído porque foi feito por um júri credenciado. Mais, dar ao povo não o que ele quer mas o que lhe é devido!??
O mais grave é simbólica auto deificação também revelada pelo traje de deusa que vestia. Endeusamento e quase divindade.  quando disse ter o apoio também sagrado ao referir-se ao estampado da Virgem Maria.
Lamentável o auto-endeusamento de Cristina Ferreira. São evidentes o oportunismo e aproveitamento das crenças de muitos. Associação, quiçá, a milagre atribuído a Virgem Maria ao seu sucesso que se entre leem nas suas frases finais e pela imagem que trazia estampada na espécie de manto caído na parte traseira do seu vestido de senhora etérea, apesar de tudo, muito inconveniente, (chocar para ser original e para dar nas vistas tem limites). 
Programas da manhã foi naquilo em que Cristina apostou. E bem! Pois deve ser a sua audiência de eleição: idosos(as), reformados(as), doentes e convalescentes nos hospitais e no domicílio, desempregados(as) apesar de serem cada vez menos, lares da terceira idade, trabalhadores de baixa e outros similares. A maioria está nos seus empregos a fazer pela vida.
Feira de vaidades e de promoção da carreira da Cristina, que, apesar de tudo, nada tem a ver com o seu real talento, mas alguma humildade, às vezes é também o segredo deste tipo de negócio.

terça-feira, 2 de julho de 2019

Humoristas e cómicos da treta andam por aí


Não tenho jeito nenhum para fazer humor. Digo como toda a gente umas piaditas e não mais do que isso, mas há por aí muitos que se intitulam profissionais do humor e da comédia e dizem ser atores de stand up.

Humoristas e cómicos são vários. Fazem espetáculos aqui e a ali. Enchem salas, dizem. Os seus fãs são um público, normalmente jovem, que assiste e ri-se por tudo e por nada. No palco encontra-se um contador de anedotas, em cada frase que pronuncia constam dois ou três palavrões, senão mais, da coleção do calão lexical português. Aplausos, gargalhadas quase mentecaptas eclodem das salas. Quando tal não acontece esses ditos humoristas e cómicos queixam-se do público e da incompreensão que sentem para com o seu dito humor.

Se eu fosse especialista em classificação arranjaria uma taxinomia para humoristas e cómicos da parvoíce.
Fazer humor é das artes mais difíceis de concretizar. É um papel ingrato no sentido em que não compensa o trabalho que alguns verdadeiros humoristas lhe consagram. Fazer rir é para muito poucos. Quando não o conseguem sentem-se injustiçados, e insistem em fazê-lo apenas para o seu micro público, com o seu fácil e suposto humor anedótico que utiliza a liberdade de expressão que ultrapassa os limites violentando as fronteiras do razoável. Sentem-se com o direito de reivindicar o direito de liberdade de expressão, o mesmo direito que nos assiste a nós, os outros, para os crucificarmos depois em praça pública. A mesma praça pública, aliás, e com a mesma violência.
Um caso paradigmático é o de Hermano José, que foi, e ainda é, um dos melhores humoristas, com o falhanço não previsto quando esteve a trabalhar na SIC e que, para captar audiência passou a descambar para o mau gosto para aumentar, sem sucesso, as audiências.
Mas há outros, vários, que surgiram na esteira dos Gatos Fedorentos e que passaram a estar na moda, tentando repercutir por imitação o seu humor, mas sem sucesso.
Não podemos, contudo, generalizar porque há humoristas com qualidade em Portugal de que Ricardo Araújo Pereira é paradigmático.
A cada duas palavras um palavrão bla…bla…, f., bla… bla…, c., bla…bla…, p., bla…bla…bla… f.d.p., etc. e por aí fora. A assistência ri-se, bate palmas, vibra, não sei se das anedotas, se do humorista se dos palavrões. Tal é o caso do asneirento Fernando Rocha esse senhor que se intitula humorista e cómico do qual uma televisão transmitiu no passado mês de maio, já a altas horas, um espetáculo.
Se baixassem as calças e mostrassem o rabo para o público então seria a desbunda total da risota e o ponto alto da comédia.
Há também o humor do mau gosto que fazem piadas sobre acidente reais como o acidente autocarro na Madeira sem o mínimo respeito pela tristeza alheia.
Humoristas como estes reduzem-se a fazer graça e gracinhas com vídeos que publicam no Youtube e conseguem milhares de visualizações a maior parte são adolescentes na fase em que apreciam graçolas sem tino. Outros vão lá por curiosidade, para ver como é, e abandonam, se forem milhares de curiosos não interessa, o certo é que contam. Há também aqueles que se alimentam do falso humor, que gastam o seu dinheiro a comprar bilhetes para espetáculos acabando por encher as salas. Estes estão a contribuir para aumentar o ego de muitos falhados humoristas cómicos.
Não, não sou puritano nem moralistas, eu próprio digo f. e p. quando é preciso. Mas, por favor vejamos os contextos.   
Humoristas genuínos e profissionais precisam-se.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Vendedores da era digital



Aqui estou de novo desta feita para falar de uma nova moda ligada à promoção de vendas que adotou mais uma vez um nome inglês. São os influencers, os vendedores da banha da cobra da era digital.
As manigâncias utilizadas para vender o que se torna apetecível para comprar que às vezes não é necessário são mais do que muitas para atrair totós como eu, por exemplo, cuja experiência já não me deixa cair facilmente em tentações influenciadoras.
Alguém que consegue influenciar outras pessoas, seja para comprar determinado produto, assumir alguma postura ou refletir sobre assuntos específicos é um “influencer” digital. São formadores de opinião que usam os canais de comunicação para transmitir para o seu público o que pensam, o que fazem e o que sabem levando outros a segui-los por imitação.
Os “influencers”, ou em português influenciadores, ou lá como lhes queiram chamar, utilizam vários truques, nomeadamente em blogs ditos intimistas e pessoais, espécie de artimanhas para atrair moscas, leia-se descuidados.
Há de tudo, e tudo serve para influenciar e sacar “massa” aos incautos. Se se perguntar se é tudo mau, não, não é, mas será que é necessário? E será de melhor qualidade do que aquele outro que vimos numa outra loja ou site de um conceituada marca, daquele produto, seja de moda, seja de cosmética, seja de tecnologia, etc..
Tudo serve para nós, pobres totós, cairmos na armadilha e nos deixarmos influenciar. Quem ganha são os “influencers”, que também têm direito à vida. Por essa blogosfera há vários e várias que, tal como eu, se acham os e as maiores. O meu caso, devo esclarecer, sou o maior, mas cá por baixo…
Eles andam por aí metidos em tudo quanto possa sacar dinheiro aos(às) pobres incautos(as). Ele é realização de palestras, workshops e consultorias, veiculação de anúncios nas suas páginas ou blogs, enfim, tudo o que seja matéria que possa ser vendável, mas sobretudo a moda e toda a espécie de acessórios.
Diariamente há quem faça publicações que mostram um novo maravilhoso batom cuja própria também usa, ou os seus recentes, maravilhosos e incríveis ténis, ou um inovador tratamento de beleza que as suas seguidoras, dizem, não podem também deixar de experimentar. Isto, claro, é para elas, mas também pode ser para eles!
Ainda há quem, depois de muito dinheiro acumulado, decida criar a sua própria linha de vestuário ou de qualquer outro produto. Contudo, de forma surpreendente, a(o) “influencer” pode não conseguir vender um número mínimo para que as encomendas pudessem resultar.
Os lamentos para convencer vêm depois através do aproveitamento emocional dos seus seguidores ao escreverem que têm o "coração despedaçado" com a falta de vendas do seu produto e, de forma mais ou menos intimista escrevem: "Eu sabia que seria difícil, mas vocês estavam a dar-me um feedback tão positivo que eu achava que as pessoas gostavam e iam comprar". E, não contentes, acrescentam: "Ninguém manteve a sua palavra e, como tal, não pude aceder aos pedidos das pessoas que fizeram uma compra e isso está a partir-me o coração", bla, bla, bla!
Há quem comece a duvidar da fiabilidade da publicidade que youtubers, instragammers e outros influencers fazem nas suas páginas a determinadas marcas, por mostrarem situações que, muitas vezes, não correspondem à sua realidade por não conhecerem nem comprovarem realmente os benefícios de determinado produto.
É a estratégia de aconselhar dizendo que lá em casa já experimentou, que se deu muito bem, e que até os seus(suas) melhores amigos(as) já experimentarem e que resultou imenso. Poderia apontar vários sites e blogs, mas não vou fazê-lo para não estragar o ganha pão de meninos e meninas muito bem, chiquérrimos(as), da nossa praça que conseguem ter milhões de visualizações e milhares de “gostos”. Por outro lado, ainda escreviam por aí que eu tinha era inveja de não ter tantos seguidores e “likes”, já agora em inglês também tenho direito.
O que acho seria dinheiro em caixa era escrever um livro, já que há tantos(as) songamongas, como eu seria se o fizesse, a escrever livros cujo título poderia ser “Influencers para Tótós”.
Para terminar aqui vai uma influenciazinha para elas (para eles vai na próxima) da Revista Vogue, esta sim, de origem:


As camisas brancas saíram à rua


Para nos provarem porque é que são a peça indispensável no guarda-roupa de qualquer mulher. Do estilo mais boémio ao mais clássico, fomos ao street style perceber como é que as estrelas desta passerelle alternativa vestem camisas brancas.
Patti Smith na capa do célebre álbum HorsesUma Thurman em Pulp FictionDiane Keaton em Annie Hall de Woody Allen, Angelina Jolie em Mr. and Mrs. SmithJulia Roberts em Pretty WomanSusan Sarandon em The Client. Esta lista é daquelas que não tem fim e não é difícil perceber o porquê. “Na dúvida, tudo fica bem com uma camisa branca,” disse Victoria Beckham. Já Elizabeth Taylor foi mais assertiva, afirmando que “todas as mulheres deveriam ter uma camisa branca no guarda-roupa.”….

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Estratégias e caminhos diferentes, o mesmo objetivo?


Imagem TVI24
Antes de mais quero deixar bem claro que o meu respeito pela profissão de médico e de enfermeiro é imenso e, até ao momento, não tenho tido quaisquer razões de queixa sobre o serviço que esses profissionais prestam e que utilizo quando necessário. O que não posso é deixar de dizer o que penso, apesar da qualidade e importância do serviço que prestam, sobre atitudes e comportamentos da classe profissional movida por sindicalistas radicais.
A “greve cirúrgica”, assim autointitulada pelos Sindicatos dos Enfermeiros, pode levar-nos a desconfiar de todo o processo, a começar pelos donativos entrados através de uma plataforma de crowdfunding onde alguns participam anonimamente com dinheiro com a finalidade de prolongar uma greve que, do meu ponto de vista, é injusta e que já ultrapassa os limites. Se há profissões nas quais os profissionais arriscam a própria vida há outros que arriscam colocar a vide de terceiros em risco, e parece ser o caso dos enfermeiros, apenas e por uma questão umbilical e corporativista.
O Governo já conseguiu chegar a acordo no que respeita à criação de uma carreira com três categorias, incluindo a de enfermeiro especialista. O mesmo não aconteceu quanto ao aumento do salário base (atualmente de 1.200 euros brutos para 1.600 em início de carreira) e quanto à antecipação da idade da reforma. Como se pode constatar é tudo uma questão de mais dinheiro. Sindicatos mais ou menos de direita e os mais ou menos ligados ao extremismo da CGTP-IN, como o SEP, pretendem sempre o mesmo: mais dinheiro. E reclamam eles por respeito. Mas de que respeito falam? Será que o respeito passou a ser uma palavra de ordem quando não há cedências nas reivindicações para obterem cada vez mais salário para algumas privilegiadas categorias profissionais no serviço público? E o respeito pelo seu semelhante cuja saúde pode estar em risco devido a esta espécie de selvajaria grevista.
Nos casos das greves em curso, e noutras que virão a que a direita tem chamado contestação social parece haver uma orientação comum entre a direita e a extrema esquerda fora do Parlamento em relação aos ataques e oposição ao Governo. As alianças partidárias para desgastar o Governo não se fazem apenas dentro do espaço da Assembleia da República, fazem-se também e, sobretudo, nas ruas e nas reivindicações iniciadas por uns e apoiadas por outros consoante os interesses. E o interesse de ambos é reduzir o mais possível a margem de intenções de voto no partido do governo.
Sindicatos e ordens profissionais, e refiro-me aos dos enfermeiros, combinam-se em posições corporativistas. Quanto aos sindicatos já sabemos que a sua única atividade é proporcionar greves e mais greves acenando aos trabalhadores com cenouras de aumentos salariais, algumas incomportáveis, como as dos enfermeiros e também já agora como é o caso dos professores. Algumas ordens passaram com o seu discurso a fazer o papel de sindicatos e, em alguns casos até, transformaram-se numa espécie de porta-vozes de partidos da direita a fazer oposição. O senhor Bastonário da Ordem dos Médicos, dentro das suas competências, lá vai fazendo nas suas intervenções televisivas críticas ao estado em que se encontram os serviços de saúde do SNS que são próximas das que a oposição faz ao Governo. Pretendendo mostrar preocupação vai dizendo que “os médicos estão preocupados com a Saúde dos portugueses e com o seu próprio futuro”. Eu penso que a maior preocupação é mais com o “seu próprio futuro”.
Greves que possam piorar ou que arrisquem a saúde da população são inadmissíveis, tanto mais quando as reivindicações salariais para aumentos de mais de 400 euros mensais em início de carreira fora os consequentes aumentos para os restantes que estão há mais tempo no quadro ao que acresce ainda um estatuto de carreiras, sabendo-se que a média salarial da maior parte da classe trabalhadora dos portuguesa é muito baixa. E então os médicos não teriam também o mesmo direito de fazer reivindicações idênticas às dos enfermeiros?
Não me venham cá falar de que a greve é um direito. Certamente que o é, dentro da justeza de reivindicações possíveis. Não pode ser é utilizada como arremesso de motivação de ordem política e até partidárias sob a capa de questões laborais e salariais impossíveis de satisfazer, enquanto milhares de outros trabalhadores se esforçam, por manter este país a funcionar com salários baixíssimos, há uma classe que via greve lhes restringe  o direito inalienável ao alívio do sofrimento físico e psicológico que outra classe de trabalhador lhes infringe para obtenção de mais dinheiro e regalias.
Quando o governo anterior passou para as 35 para as 40 horas de trabalho não vi nem ordens nem sindicatos de enfermeiros serem tão empenhados em fazer valer argumentos reivindicativos contrários e de forma tão violenta às medidas que, diziam, tanto os afetava.  
Os enfermeiros são imprescindíveis num qualquer serviço de saúde e não ponho em causa a justeza reivindicativa e as suas razões, nem tão-pouco o direito à greve, ponho, isso sim, a oportunidade e a forma de coação utilizando os utentes mais necessitados como forma de pressão para o que pretendem obter.
Os políticos dos partidos mais à direita dizem que os enfermeiros têm razão nas suas reivindicações mesmo quando sabem que pretendem aumentos de luxo se comparados com outras profissões. Por outro lado, querem comparar-se aos médicos que afinal não são. Assunção Cristas, presidente do CDS-PP, referindo-se quinta feira à greve do enfermeiros limita-se a fazer críticas à ministra da Saúde que diz “tem demonstrado incapacidade para governar a sua pasta" e, quanto ao diferendo com os enfermeiros nada mais diz. É caso para lhe perguntar o que faria, ou diria, nas mesmas circunstâncias, se fosse ela que estivesse no governo? É caso para pensar se ela não estará a apoiar implicitamente a greve? Repito que é muito estranho o apoio financeiro de centenas de milhar de euros aos grevistas por pessoas e entidades anónimas!
Por seu lado Rui Rio, líder do PSD, é mais ponderado e pede a enfermeiros que "metam a mão na consciência, mas mantém-se num, nem sim, nem não. Dá uma no cravo outra na ferradura como se costuma dizer e pede aos enfermeiros “que haja equilíbrio, percebendo que o Estado não está em condições de poder dar tudo o que eles querem”. E adianta “mas, também peço ao Governo que perceba que, tendo os enfermeiros razão, alguma coisa tem de ser feita", afirmou Rui Rio ao mesmo tempo que diz não “simpatizar" com a forma como vai ser feita a greve e no, no entanto, compreender as reivindicações dos enfermeiros, que são "justas", razão pela qual não pode "atacar totalmente os enfermeiros" por estarem "sempre em greve". E termina, dizendo que “depois não conseguem "rigorosamente nada" daquilo que reivindicam”. A mesma pergunta que feita a Cristas pode ser feita também a Rui Rio.” Se o Estado não está em condições de poder dar tudo, então que tipo de negociação poder haver face à irredutibilidade dos enfermeiros?
Como já afirmei não é o direito à greve que ponho em causa, mas a estranheza pela sua virulência prolongada no tempo e pelo estranho financiamento dos que para ele colaboram. Não serão por certo os próprios que contribuem com o seu salário para, depois, receberem o seu retorno. No meu entender esta greve é lesiva para as pessoas indefesas que são utentes do SNS e está a sobrepor-se ao também direito básico dos cidadãos aos cuidados de saúde.
Como diz Amílcar Correia no editorial do jornal Público de hoje: “Os enfermeiros estão em greve porque reclamam o justo descongelamento de carreiras ou o aumento do salário-base, mas trata-se de uma greve particularmente injusta para doentes sem seguro de saúde, subsistema e, portanto, sem alternativa, e para a credibilidade do Serviço Nacional de Saúde. Os hospitais privados agradecem. Quanto maior for a lista de espera para uma cirurgia, mais elevado será o número de doentes que poderão ser operados nas unidades privadas ao abrigo das convenções com o Estado.”.
Ser médico ou enfermeiro não é uma profissão como outra qualquer, elas são profissões de missão nobre e honrosas e, como tal, deveriam são inerentes ao empenho numa atividade que deveria ser, por si mesma, a procura do bem-estar do próximo com remuneração justa, digna e equilibrada ao seu desempenho. A profissão de enfermeiro não pode ser escolhida porque aí se auferem bons salários e ótimas progressões na carreira. Quem opta por este tipo de profissões não pode pensar em subir na escala social pelos salários elevados que prenda auferir, ela é já, por si mesmo, considerada numa elevada escala de prestígio pessoal e social.
As razões que possam ter para fazer greve é discutível, já que haveria muitas outras profissões que teriam também razão para a fazer por direitos e mais salário, mas, como são do privado e não podem “sugar” o Estado sustentado pelos impostos que lhes são retirados mensalmente aos seus salários para, em parte, irem satisfazer reivindicações irrealistas. As palavras de ordem dos enfermeiros, e já agora também as dos professores, estes conduzidos por Mário Nogueira que os orienta nessas andanças, são: Justiça! Dignidade! Reconhecimento! Temos razão! Respeito! A isto acrescento, porque não se calam!
O caso dos professores, embora diferente, está numa espécie de “parceria grevista” com os enfermeiros e, como tal, irá dar ao mesmo visto o seu sindicato ser liderado por Mário Nogueira. Não admira que queira ser esteja instalada através dos meios sindicais dos professores uma espécie de pequena ditadura popular e popularista entre eles. Será que isto uma espécie de ditadura que querem impor ao país algumas profissões, até as mais bem remuneradas que dependem do Estado?
Aliás, até posso ironizar dizendo que, não me admiraria. Alguns sindicatos como a Fenprof, que pertencem à central sindical CGTP-IN, e são uma espécie de correia de transmissão do PCP. O que afirmo pode ser provado pela participação daquela central sindical numa sessão, claramente em apoio à ditadura de Nicolás Maduro na Venezuela que, segundo escreve o jornal Público, “Todos estavam ali para ouvir as mensagens de solidariedade dos representantes de organizações como o Conselho Português para a Paz e Cooperação, a Associação Amizade Portugal-Cuba, ou a CGTP-IN.”, como podem conferir aqui.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

O que pede o meu estomago


Gostava mesmo de poder ser muito “chique”, muito “bem”, muito “VIP”, muito tudo, mas não sou. Sou um vulgar popular, apesar de gostar de frequentar os hotéis “Pestana” qualquer coisa (nome que se apensa ao nome) e ir consumir uma refeição a um restaurante gourmet com nome inglês para poder estar “in”.
Frequento esses locais para poder olhar para os outros com um olhar sobranceiro como fazem os “habitués”. Apesar de ser popularucho sou uma pessoa muito bem, muito “hight society” mas não tenho paciência, nem quero ser conhecido por ir todos os dias a um qualquer restaurante by “Olivier” para me servirem um “brunch”, refeição, muito “british”, que combina o pequeno almoço, no Brasil conhecido por café da manhã e na Inglaterra por breakfast, e um lunch conhecido por almoço. Estão a ver, isto é que é internacionalização.
Para esta vida de luxo dinheiro não me falta. Não, não recebo puto pelos cliques na publicidade neste site, nem pelos meus conselhos gastronómicos, nem sobre as modas disto e daquilo. Acham que alguém me pagaria por publicidade depois de dizer estas coisas? Está-se mesmo a ver que não!
A propósito de gastronomia: gosto de cozinhar e faço-o com grande prazer. Sei que há por aí muitos(as) de vocês que não gostam nem têm aptidão para os tachos e que só gostam de comer fora em locais onde o gourmet impera e que dizem à saída: «Que bom que estava. E que bem confecionado! Não achas Pipa?!».

Eu prefiro os tachos e gosto de ser eu a comprar e a cozinhar para poder experimentar. Escuso até de utilizar a metáfora das viagens gastronómicas para dizer que estive aqui e ali nos restaurantes muito da moda. As minhas viagens neste campo é andar pela minha cozinha e pelo supermercado do El Corte Inglês que tem produtos de qualidade. Esta do “El Corte Inglês” aqui metida é para ver se eles depois me convidam para os publicitar a troco de um jantar no “Gourmet Experince”.  Escusam de clicar por que não fiz nenhum link para lá.


Quando saio para comer fora não é para olhar para a estética do prato que parece uma obra de arte, como observou uma vez a Tininha quando a fui levar a casa após sair de um desses restaurantes onde pedimos um aconselhado menu de degustação. Disse-me ela, quando passámos por uma cervejaria, depois da parca e austera refeição que esteticamente lhe encheu os olhos: «Olha, e se fossemos ali comer qualquer coisa!». Não nos chamem nomes como o fez aquele senhor lá da Holanda quando disse que nós, os portugueses, só queremos copos e mulheres. Engana-se, também gostamos de comer bem e muito. A qualidade para aqui não interessa.
Os meus cozinhados têm três componentes a estética, a qualidade e a quantidade e isto não é a quadratura do círculo. Já uma vez me convidaram para entrar no negócio da restauração. Isso é que era bom, como dizia o outro. Não quis, isso é um trabalho de escravo que dizem já não existir. A menos que tenha um convite para me auto publicitar num qualquer programa culinário de um canal de televisão para fazer o que outros já cozinharam apenas mudando um ou dois ingredientes. Isto de inventar na cozinha não é como inventar uma qualquer inovação que tenha utilidade na vida das pessoas. Na arte culinária mesmo que seja esteticamente um espanto depois de degustar a coisa termina sempre no mesmo sítio.
Veio-me agora à ideia as dietas para emagrecimento e o nutricionismo. Não há melhor para ficar na “linha” do que ir a um desses restaurantes cinco estrelas e, melhor ainda, se tiver estrelas Michelin. Experimentem ir todos os dias durante quinze dias almoçar e jantar a um deles, mas sem incluir vinho nem doces na sobremesa e vão ver logo como fica a vossa silhueta. Ficarão mais magros(as) juntamente com a vossa carteira, mas conseguiram atingir o vosso objetivo, o dono e o “chef” do restaurante também…


Gostava de escrever este blog apenas para alguns e algumas que adoram que se fale de coisas “chiquérrimas”, quer de moda, quer de viagens, quer do que a hotéis e restaurantes diz respeito para os(as) deixar embasbacados (as) com o que se escrevesse nesse adorável e doce blog pleno de coisas boas e perfeitas. O meu blog é, em termos metafóricos, uma espécie de cão rafeiro (com todo carinho pelos rafeiros) contrariamente aos blogs de pura raça que nos mimam com ternuras, conselhos e outras coisas boas e onde escrevem sobre tudo, ou quase tudo, o que fazem, para onde viajam, sobre o que pensam, sobre o que são, sobre o amor da sua vida,  mas sobre o que não são já não dizem… O meu blog é mais azedo, mais ácido, mais amargo, mas sem amargura. De qualquer modo, como a concorrência é saudável, um dos próximos dias também vou fazer o mesmo, escrever sobre outras banalidades que não estas. Posso escrever sobre tudo o que sei, menos sobre costura, para isso já me basta aquele horrível programa de domingo da RTP1 “Cosido à Mão”.
Voltando à gastronomia, vocês devem pensar que «Este tipo só pensa em comer!». É verdade! E sabem porquê? Porque gostava de ser um crítico da gastronomia. Isso é que era fartar vilanagem, pagavam-me para comer aqui e ali. Quando leio críticas gastronómicas fico pasmado e cheio de inveja, coisa típica dos portugueses e portuguesas. Os críticos de restaurantes de gastronomia comem tudo o que vêm na ementa o que me leva a pensar que esses ou essas que andam por aí de restaurante em restaurante devem ganhar bem para poderem pagar as contas, ou será que os convidam e lhes oferecem as refeições para dizem que é tudo ótimo, até o atendimento? Alguns e algumas, até dizem que o atendimento e a simpatia são excessivos porque lhes perguntam muitas vezes se está tudo bem. Se fosse eu até aproveitava para lhes dizer que havia ali uma coisita que estava mal, talvez a conta. Em alguns casos até dá direito a cocktails e dizem quanto custou e se for uma fortuna convém dizer que foi em conta. Isto do ser em conta tem o que se lhe diga, porque o que é para eles, ou elas, em conta pode não o ser para mim. Isto de gastronomia fina não é para todos. Mas quem disse? Para mim é, pois então!
Causa-me espanto como é que essas ou esses críticos sabem que tudo o que está na ementa é bom e é recomendável, que se esbate quando leio as críticas de especialistas em gastronomia como a seguinte baseada na ementa que me leva a concluir que muito deve comer quem faz críticas de gastronomia em restaurantes.
Um determinado crítico foi apreciar a comida apresentada na ementa de um restaurante, a entrada era um misto de azeitonas temperadas, chouriça, farinheira, melão com presunto, pasta de camarão, queijo de cabra e queijo amanteigado. A seguir o polvo à lagareiro com a mestria da chefe, que diz ele ser de tenrura estaladiça e sabor delicado, para o saber só comendo; depois, o bacalhau com broa na telha, com boa posta, bom “crumble” de broa com azeite, bela apresentação e ótimo sabor, para o dizer é porque o comeu ou provou. A seguir veio a dourada e o robalo desespinhados e braseados, só os lombos com um fio de azeite e flor de sal, aqui fico na dúvida se chegou a provar; diz o autor que depois vieram os secretos de porco preto no estendal, com apresentação e sabor notáveis, a carne presa com molas, o molho harmonizado com redução de laranja, aqui não há dúvida se deu pelo sabor notável pelo que terá sido deglutido; o rosbife com crocante de massa filo (queijo amanteigado, mel e nozes no interior), não fatiado, que vem a ser um bom naco macio e suculento, mais um vez este teve que ser comido para testar a sua macieza; a perna de cordeiro assada à moda da terra e servida na telha em que vai ao forno e o naco de novilho grelhado e laminado, que parece não terão sido experimentados; e termina dizendo aquelas iguarias que valem a viagem e a volta, na primeira oportunidade.
Muito devem comer estes críticos ou críticas! Ou será que mais estragam do que comem? Não me admira que, qualquer dia, ao ir a um desses restaurantes me sirvam um prato já foi provado por um deles ou uma delas. Por hoje já chega, estou cheio.


sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Alimentar o blog é preciso





Se estão à espera que vá falar de nutricionismo, comida saudável, dietas ou coisas e tal, tirem o cavalinho da chuva. vou falar é da alimentação do blog. Sim, ele coitado também tem necessidades alimentares, e isto de alimentar um blog é quase como ter de alimentar um animal doméstico. Bem, com alguma diferença, é que o animal doméstico ladra, ou mia, se for cão ou gato (não estou a pensar em outros animais de estimação como sejam os do tipo exótico). Sobre a desnutrição do blog poucos ou nenhuns reclamariam, e outros até agradeceriam a fome que o fizesse passar. O blog se não for alimentado não protesta, mas perde-se nas brumas do ciberespaço e transforma-se em lixo virtual.
A alimentação do blog não depende de mim, depende das minhas musas. A falta de musas inspiradoras é terrífica, e elas cada vez rareiam mais. Gostaria que as minhas musas fossem como as do José Rodrigues dos Santos, um dos apresentadores do telejornal da RTP1, que em média apresenta um livro de mais de quinhentas páginas a cada dois anos, ou menos. Puxa! Quem me dera que as minhas musas fizessem um striptease com a mesma voluptuosidade plena de inspiração literária como as dele. É certo que as dele já começa a padecer de monotonia na inspiração do prolifero autor. Apesar de tudo mais vale ter mau hálito do que não ter nenhum, o que era sinal de que estaria morto e não queremos nada disso. As minhas musas, coitadinhas, pelo contrário, são muito inibidas e não se despem integralmente para me inspirarem senão não haveria quem me parasse.
A propósito de estar morto recordo-me de uma estória verídica que se passou na minha presença após assistir a uma missa do sétimo dia. Há sempre uma missa do sétimo dia, talvez seja porque a Terra e o Universo levaram seis dias a criar e o sétimo foi para descansar. Deve ser por isso. Como estava dizendo, ao sair da igreja, como é habitual, amigos e familiares juntam-se à porta a conversar. Eis, senão quando, se aproxima um familiar do falecido que se lamenta da morte do ente querido. Então uma das pessoas presentes, também ela familiar, vira-se e disse numa frase eloquente e exclamativa: «Olha, não estejas assim! Sabes, o céu é tão lindo!!!». Numa ação reativa alguém lhe pergunta: «Olha lá, já lá estiveste para saber?». O rubor que lhe surgiu na face foi para todos visível e esclarecedor.
Este tema da morte não tem piada nenhuma, mas recebi agora mesmo uma notícia que dizia que frio e gripe provocam mortes acima do normal. Vamos lá ver se nos entendemos ainda ontem diziam que este ano a gripe estava pouco ativa em relação ao ano anterior. Afinal em que ficamos?
No meio desta treta toda já nem sei onde que ia! Está próximo da hora de jantar. Deve ser da fome. A propósito, sabem que aqui ao pé da minha rua há um pequeno restaurante que se chama “Fome”? A sério! Podem confirmar na net. Nunca lá fui, mas pelos preços e pela ementa deve ser verdade.
Estão na moda os restaurantes com estrelas Michelin, geridos por cozinheiros, desculpem-me, “Chefs” de alto coturno, isto é, “cozinheiros” de linhagem nobre da cozinha, onde quem lá vai, ou já vai jantado ou passa fome e paga muito.
Reparem na imagem onde o apetite não pode ir além de uma pequenina costeleta de cabrito, ou será borreguinho? Mas não me digam que a decoração está mal?
Quero dizer, quem fala assim sou eu, um português de gema, que me empanturro à hora de almoço com comida e quando vou para pegar ao serviço passo o tempo a lamentar-me: «Ai que Deus! Ai que Deus, não me apetece nada ir trabalhar.».  É mentira, não passem palavra, porque isto é apenas um desabafo falso do tipo “fake news”, estão a ver?   

Imagem da revista Máxima.pt

As redes sociais são locais ótimos onde se reproduzem “fake news” tal como como coelhos que dão à luz as suas crias. Por isso é que se diz que, tal ou tal, se reproduzem como coelhos. Não é por acaso que os caçadores quando lhes limitam o número de animais a caçar refilam e com razão argumentam que se não os deixam caçar os coelhos à vontade qualquer dia são eles que os comem a eles.
Veja-se por exemplo o que se tem passado com o caso do Bairro da Jamaica e a PSP, pelo que se ouve e o que nos dizem já ninguém sabe o que é verdadeiro ou é falso. Qualquer dia temos de construir tabelas de verdade para tirar alguma conclusão. Tabelas de verdade são essas coisas que se utilizam na lógica matemática e que agora resolveram introduzir nos programas de filosofia do secundário para baralharem os coitados dos alunos. Talvez seja uma forma de os impedir de pensar e refletir sobre questões sociais que deviam merecer reflexão.

Fico lixado quando a PSP ou a GNR me multam, por isso é que estou sempre contra eles, e a minha raiva é tanta que até lhes chamo bófias. Vou a alta velocidade e ponho os outros condutores a desviarem-se de mim; não fazem mais do que a sua obrigação, estou com pressa e pronto. É então que apanho a polícia e multa-me. Bebo uns copitos a mais e, lá por ver duas estradas, o que até é bom porque assim tenho mais espaço, a polícia vê e prende-me. Estou a conduzir e a enviar mensagens à minha garina sou apanhado e multam-me. Bolas não há quem aguente! Estava para dizer “não há cu que aguente”, mas desisti porque isso é má educação. Como é que eu hei de estar do lado deles! Mesmo que fosse racista estaria sempre contra a polícia mesmo quando para pacificar um local é atacada e corrida à pedrada.
A virada para a quase política não estava prevista, desculpem-me o sintoma, mas já passou.

Hoje acho que vou ficar por aqui e como não tenho, por agora, mais nada para dizer termino enchendo chouriços com coisas da moda. Assim, os saldos estão quase a acabar e a exposição das coleções de primavera verão estão aí, prontas para ir para as vitrines.

 Vejam Chanel: a primeira fila do desfile de alta-costura



Eu nem me conheço, mas eu estou a falar de moda? Estou-me a passar ou quê?


terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Como eu adoro reportagens ou entrevistas sensacionalistas



Imagens de www.vercapas.com

Não tenho jeiteira nenhuma para humor nem para fazer piadas, e se alguma vez tento fazê-los são deles destituídos.  Há muitos por aí a tentar fazer graça sem graça nenhuma e lá vão arranjando uns “cacaus” aqui e ali, graças aos que os vão vendo e ouvindo. As graçolas estão na moda. É por isso que este sítio nada tem a ver com humor nem com piadas é, simplesmente, algo azedo por vezes com um toque agridoce.  Não, não sou contra os humoristas, nem contra o humor de qualidade que até me faz rir a bandeiras despregadas.
Mas também não aprecio lá muito os e as que contam a história da vida ou do blog onde escrevem porque isso se torna uma grande seca e não traz mais valias a não ser para quem nos utiliza como uma espécie de clientela que através de clikbaits gera receita de publicidade on-line.
Muitos dos blogs que por aí proliferam são uma espécie de textos e imagens de revistas cor de rosa que elas leem e, raramente, eles. Nos cabeleireiros delas, abundam as revistas onde são constantes notícias sensacionalistas com os nomes dos famosos, colunáveis e figuras públicas que são avidamente lidas ao som de zumbidos dos secadores apontados para as suas cabeças. Ler essas revistas é como tragar autênticas doçuras que me provocam acidez.
Vejam-se também os blogs cujos conteúdos são do mesmo tipo e os nomes associados a flores, doces, frutas, pipocas e até nomes que revelam uma dose de narcisismo. Dirão vocês: mas este onde escreve também tem nome associados a fruta. Ah! Pois é, mas é azedo, é ácido! É por isso que talvez não o leiam como o fazem com as revistas cor de rosa porque não vende sonhos. Ninguém compra sonhos azedos.
Os jornais queixam-se de falta de leitores, mas as revistas, cujos conteúdos são autênticos mexericos sobre os chamados colunáveis, são devoradas ao ritmo do crescimento de ervas daninhas na primavera. Eu, cá por mim, fujo delas como o diabo da cruz.
Há também os comentadores da televisão, como o Cláudio Ramos que fala de bisbilhotices e especialista no lançamento de farpas que diz ser: Comentador. Apresentador. Escritor. Cronista. Criador…  É quase um daqueles homens do Renascimento, um autêntico polímato, como Leonardo da Vinci. Apenas lhe falta pintar, fazer escultura e inventar qualquer engenho.
O que interessa para o cálculo do índice de felicidade duma população quem casou com quem, ou que o ator X se separou de Y e que vai ter um menino ou uma menina de Z. Isto não é mais do que a condição agravada do reaparecimento de carateres que pertenciam a gerações antepassadas e que, nos nossos dias, seria suposto terem já deixado de se manifestar.
É a bisbilhotice e o voyeurismo da vida alheia sobre as chamadas figuras públicas. Mas o que é, afinal, uma figura pública? O conceito é ambíguo! Se eu tiver milhões de visualizações numa merda de um vídeo que coloquei no Youtube, ou pelo que escrevo nesta treta de blog, serei convidado por um qualquer canal de televisão para uma entrevista num programa da manhã ou da tarde, para onde uns tantos convidados da terceira idade são convidados a participar, passando a ter um estatuto próximo de figura pública ou quase. Se eu falar de mim, da minha vida privada e escrever a puxar ao sentimento e à emoção, mesmo que invente, tenho leitores pela certa. Não interessa a qualidade, mas a quantidade da audiência.
Os conteúdos das revistas cor de rosa que elas, e eles, mas estes são poucos, leem são todos muito importantes e fico muito feliz quando leio que as cadelas da Rita Pereira são amigas e protegem o seu filho, ou que os “duques de Sussex abandonam casa de campo e cancelaram o arrendamento da sua segunda casa, na qual têm passado muitos fins de semana”, ou, ainda, que “já é possível comprar os pratos comemorativos do casamento da princesa Eugenie” e que “a loja de lembranças do Palácio de Buckingham tem um conjunto de chá disponível por ocasião do enlace da filha do duque de York, que teve lugar no passado dia 12 de outubro, no Castelo de Windsor”. Estou-me nas tintas para isso, mas se vocês gostam então podem clicar nos respetivos links. A democracia também é isto, deixar que os outros se empanturrem de coisas boas. A propósito, há blogs que, talvez com receio da fuga dos leitores, não colocam links para sítio nenhum.
As lágrimas de alegria e contentamento também são bem-vindas. Deixar que as emoções dos outros nos cheguem até nós, e alegrarmo-nos com isso como uma espécie de opiáceos que nos fazem deixar de pensar nas nossas tristezas ou alegrias contentando-nos com as de outros, como as de Rita Pereira em lágrimas ao apresentar o filho ao bisavô, são uma gratidão.
Sábado passado, 19 de janeiro, Manuel Luís Goucha revelou algumas imagens do seu monte no Alentejo e chegou mesmo a mostrar o “quarto da rainha”, que se destina, segundo o apresentador, a Maria Cerqueira Gomes. “O quarto da rainha! À espera da Maria!”, escreveu o apresentador. Caíram-lhe em cima, salvo seja, nas redes sociais.  Parece que os seguidores não gostaram da proximidade que já está a ser criada entre Goucha e a sua nova companheira das manhãs e rapidamente surgiram comentários que acusavam o apresentador da TVI de estar a atacar Cristina Ferreira com a publicação. Tudo isto está na Gente que pode ver aqui. Mas não se pirem, senão passo a fazer como outros autores que não colocam links para lado nenhum.
Todas estas tricas, futilidades, nicas, como lhes quiserem chamar, fazem parte de estratégias para captar audiências. É a máxima do não me importa que falem mal de mim, o que me importa é que falem.
Nas ditas revistas fala-se muito de amor, de sexo e de telenovelas para marcar o apetite para os próximos episódios.  O amor e o sexo têm o seu espaço nestas revistas, e não é pouco, dá até para grande parangona. Eles são a VIP, a Maria, a Nova Gente, a Ana, a TV7, etc..
Vamos ver alguns casos muito edificantes enquanto temas:

Capa da Revista VIP. Edição 19/01/2019

QUANDO O AMOR É FORTE MAS A RELAÇÃO NÃO VENCE. «SEI QUE ELE É O HOMEM DA MINHA VIDA, MAS NÃO SERIA FELIZ COM ELE». Uma capa com este título é venda certa, assim como o serão títulos quando Luciana Abreu abre a boca e diz: “Estamos Unidos. Quer usemos aliança ou não.”

Depois há artigos muito profundos como o da Nova Gente em que se coloca a questão de saber “Se me amasse, deixaria essa vida de ‘engatatão’…” Achava isso! Mas não. Ele não era mesmo um homem de uma mulher só”.

Foto TV7Dias

Há sempre alguém que nessas revistas tem direito a um título como este da TV 7 Dias: Mia Rose “Está a dar que falar”. Caraterização de Mia Rose em programa da SIC está A DAR QUE FALAR!

A cantora foi desafiada a “encarnar” o cantor britânico Ed Sheeran e deixou tudo e todos de boca aberta. Vejam só! Que delícia! A notícias também me deixou com a dita aberta. Ai é? Então toma lá a resposta: “O que é que acharam da vossa “Ed Sheeran” portuguesa? Gostaram da atuação? Foi feito com alma, coração e…barba!!”, escreveu a cantora na legenda da fotografia que partilhou nas redes sociais.
Para para quem gosta de saber da vida alheia aqui vão mais estas da TV7Dias: “Kika Gomes anuncia GRAVIDEZ INESPERADA do primeiro filho”.
Kika Gomes surpreendeu tudo e todos quando deu a conhecer o novo amor. Agora, a felicidade da jovem aumentou com a primeira gravidez.
Fotografia TV7Dias
De facto, fiquei surpreendido, e também contente, porque o amor da Kika, ao ficar por cima, aumentou. Vá lá, deixem-se de malandrices, não devem ler literalmente! …. Quero dizer que o novo amor se sobrepôs a tudo… 
Vejam agora como a sociedade apresenta tristes contradições! “Carina Ferreira NÃO QUER TER 

Fotografia TV7 Dias

FILHOS: “Não tenho paciência para crianças”. A ex-concorrente de Casa dos Segredos e vencedora de “O Reencontro”, da TVI, já provou não ter papas na língua. Desta vez, fala sobre a que pensa da maternidade. Cá vai a piadinha ácida: então Portugal tem falta de bebés e a natalidade é baixa e ainda há quem não queira ter filhos. Que falta de patriotismo.
Os, e as, protagonistas de programas aberrantes passam a ser figuras públicas, e têm lugar de destaque neste tipo de imprensa, é poraquê há procura.
E o “Pedro Carvalho que se veste de SEM-ABRIGO e vai para as ruas. Saiba tudo!”. “O ator, viveu uma noite com os sem-abrigos e percebeu que, apesar de tudo, ainda há pessoas com coração que ajudam quem não pode.”, diz a TV7Dias.
E os horóscopos!? Ai os horóscopos!... Isso é que é um delírio, não os perco. Faço tudo o que me dizem para fazer, só que tenho um problema. Cada um diz-me que faça ou antevê uma coisa diferente e fico entalado sem saber qual seguir.
Enfim, ainda há quem tenha tempo para ler isto enquanto livrarias fecham e jornais estão à rasca e arriscam fechar portas. Como eu adoro reportagens ou entrevistas sensacionalistas, falsas, exageradas de factos e acontecimentos, cujo objetivo são apenas as audiências.

domingo, 20 de janeiro de 2019

História dos 345.600 segundos do blog “A Fruta mais Ácida” ou conversa da treta de que mais se gosta


O blog faz hoje quatro dias, ou três, já nem sei, e até agora, nada de novo! Ainda tem uma história muito curta, mas se transformarmos o tempo da sua existência em segundos é mesmo muito longa. Vejam só: 345.600 segundos, uma eternidade! Como é que isto aconteceu?  Um dia, ao acordar, senti um amargo de boca, sei lá se foi do jantar do dia anterior ou se foi do que vi na televisão! Então pensei: vou escrever mais um blog. Sim, ainda tenho outro, mas não digo qual!
Se contasse aqui as patranhas relacionadas com este recém-nascido blog e, se gastasse por cada uma dez minutos, daria para cada uma 600 segundo. Bem podem esperar! Imaginem se eu tivesse este blog há 15 anos. Chiça!!!
Sei muito bem como é que a ideia me veio à cabeçorra. Iniciar este blog foi tudo muito espontâneo, vivo e orgânico, foi ao acordar, tipo sonho, tão a ver? Cuidado com as falsas interpretações da palavra orgânico. É que agora tudo é orgânico, eles são as músicas de bandas que por aí proliferam, são as escritas dos livros a que antigamente se chamavam de cordel, são as dietas, são os produtos biológicos, eu sei lá… A palavra é um sinónimo figurado de "modo natural, espontâneo".
Então, dizia eu, ao acordar, pensei: «sou muito orgânico, sou “muita bom”, vou escrever um blog». E assim foi.
Gostava de escrever como um jornalista, como esses que fazem humor com coisas sérias, mas não sou, nem nunca fui, apesar de gostar de ter sido. Ser jornalista de investigação era o meu sonho, como a Ana Leal da TVI. Teria amor por aquilo que faria, despido de preconceitos ideológicos e políticos, pleno de isenção, acusando e condenado logo nas minhas reportagens todos quantos eu desconfiasse ou julgasse que estariam envolvidos em corrupção. Tipo Correio da Manhã, estão a ver? Como ela, teria um olho sempre virado para o mesmo lado. Não, não sejam maliciosos, ou maliciosas, não é esse, é aquele outro, o da cara que, qualquer dia, até fica estrábico de tanto olhar para o mesmo lado. Eu seria uma espécie de justiceiro no jornalismo como eram os vigilantes nos EUA na “caça” ao mal e às etnias.
Como estava a dizer já devia ter publicado esta história ontem, mas interrompi porque fui ao teatro. Sim, ao teatro, têm alguma coisa contra isso? O que fui ver? “GOD” com Joaquim Monchique. Como me fartei de rir! A peça foi criada para a Broadway, em Nova Iorque, encenada por António Pires sendo o texto da autoria de David Javerbaum, um dos argumentistas que costumava trabalhar com John Stewart no “The Daily Show”. Recomendo vivamente  a peça GOD que está em exibição no Teatro Villaret.
A peça foi também interpretada. no Brasil, por Miguel Falabella como podem ver aqui.
Fonte: Força de Produção

Bom, continuando.  Quando comecei a escrever este blog, há três dias, ou seja, há 345.600 segundo, eu já não era jovenzinho, era mais como fruta madura, mas não ácida. Acho que foi o escrever no blog que me converteu em ácido como o vinagre, mas com um toque de balsâmico.
O que fiz, fazia, ou faço e os meus cursos não interessam aqui para nada. O que interessa é que agora escrevo neste blog. Isto de escrever em blogs não é fácil! Se tivesse tirado o curso de Comunicação Social, e tivesse sido jornalista, a coisa pintava mais fino. Assim, como não conheci, nem conheço, ninguém do jornalismo, nem tenho amigos no meio que passem a palavra a outros sobre o blog a única visualização do é a minha.
Se houvesse leitores para este blog caberia aqui falar sobre mim, e sei que teriam curiosidade de cuscar sobre a minha vida profissional e privada. Ora, como já disse anteriormente, lá isso é que não, já me bastam os cuscos dos meus vizinhos e as cuscas das minha vizinhas, sem ofensa para eles, e para elas. No entanto deixo aqui uma ressalva, caso, por milagre, algum ou alguma venha um dia a ter acesso a este blog, digo publicamente que vocês são os melhores vizinhos do mundo. São mesmo!
Uma coisa é estar a escrever para mim a pensar que ninguém irá ler; outra é eu dizer logo que muitos irão ler o blog porque escrevo coisas com muita piada e muito interesse.  O tanas! Se tivesse muitos amigos e amigas lá de fora, e teria muitos se fosse jornalista, saberiam tudo sobre mim e partilhavam uns com os outros o que escrevesse. Que emoção, não era!?
Assim, o leitor já não seria apenas um, eu!
Se alguma vez alguém chegar a ler o blog perguntará qual o seu objetivo e o porquê do seu nome? A resposta é: não sei! Acordei para aí virado. Talvez tenha sonhado com algumas das doçuras que para aí há e resolvi tornar tudo mais amargo e ácido e, daí o nome do blog. Divertir-me há grande é que não foi. Porra, só o trabalho que isto me dá tirava logo o carrinho da chuva. Divertir os outros? Como assim, eu sei que não tenho graça nenhuma!
Se escrever e alimentar um blog dá muito trabalho e não tenho graça nenhuma então para que diabo é que isto serve? Deixo isso como uma adivinha para alguém que alguma vez o leia. Se isso acontecer deixou desde já o desafio para tentar adivinhar e responder-me. Mas cuidado, porque tudo quanto for uma linguagem de “porra” para cima são logo colocados filtros de censura. Só eu é que posso escrever tudo o que me apetecer, sem me interessar nada de quem fique chateado.
Só há uma coisa de que tenho medo, é de brigas. Este sítio também pode servir para provocar brigas, e isso é uma doçura, porque, assim, posso dizer mal de tudo e de todos arriscando-me apenas a levar um murro virtual. O mesmo não direi quando a Inteligência Artificial chegar a um ponto tal em que uma Robot Sophia em presença me possa dar um murro na tromba.
Gostaria de exprimir aqui emoções fortes, mostrar afetos, mesmo pelos que me mandem à merda depois de lerem isto. Exprimir afetos, emoções e tudo o que puxe à lagriminha fácil dos eventuais e possíveis leitores, não é a minha cadeira de baloiço. Para isso já têm as novelas da SIC, TVI, RTP1 e, se não chegar, têm, também, as ininterruptas novelas da Globo.
Por hoje fico-me. Amanhã cá me venho por aqui outra vez. O português é, de facto, uma língua muito, mas muito, traiçoeira.